'Não me calarei', diz ator negro baleado ao ser confundido com bandido na Bahia

O ator baiano Leno Sacramento, de 42 anos, que levou um tiro da Polícia Civil da Bahia na última quarta-feira, 13, ao ser confundido com um bandido, se manifestou em seu Instagram.

“(...) Eu já estou bem fisicamente, mas não psicologicamente, agradeço pela força, carinho, energia, enfim… Peço desculpas hoje por estar muito emocionado e não falar tudo que preciso falar… Mas não se preocupem, não me calarei, não nos calaremos, ah! a bala não foi de raspão e quando eles pediram para parar, paramos”, declarou.

Protagonista do espetáculo que aborda a questão racismo, foi baleado durante em uma ação policial após ser confundido com um bandido em Salvador. O mesmo que faz parte do Bando de Teatro Olodum, estava andando de bicicleta junto com o cenotécnico Garlei Souza na avenida Sete de Setembro, centro da cidade, quando foi atingido na panturrilha por disparos feitos por um policial civil.

Os agentes, que estavam à paisana, estavam a procura de bandidos que minutos antes haviam assaltado uma mulher na praça do Campo Grande. A defesa alega que o ator foi vítima do racismo institucional e estrutural das forças de segurança da Bahia: “Ele é mais uma vítima do que chamamos de genocídio da população negra”, diz o advogado do ator, Cleifson Dias.

Leno Sacramento atualmente encena a peça 'En(cruz)ilhada', monólogo no qual discute o racismo e as mortes simbólicas do negro na sociedade.

Ele também está em cartaz com o espetáculo 'Cabaré da Raça'. Com 28 anos de trajetória, o Bando de Teatro Olodum é um dos principais grupos artísticos da Bahia e já revelou atores como Lázaro Ramos.

 

 

Fonte: Bahia Notícias

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