Uma advogada criminalista da cidade de Ipiaú, no sul da Bahia, denunciou nas redes sociais uma suposta violação de suas prerrogativas profissionais cometida por policiais militares.

O caso ocorreu nesta segunda-feira (19), durante a condução de um flagrante, e foi registrado em vídeo que circula amplamente nas redes sociais. Nas imagens, um dos policiais aparece chamando a profissional de “bandida”.
Os advogados Marina Carmo e Gean Rodrigo acompanhavam a prisão de um cliente quando houve o desentendimento com dois policiais militares. Segundo eles, houve impedimento ao exercício da advocacia, além de ofensas e ameaças verbais. Gean Rodrigo relatou ainda que teve o celular apreendido de forma arbitrária pelos agentes.
“Pegaram meu celular, gravaram vídeo meu, olharam conversas minhas”, afirmou o advogado.
Durante a discussão registrada em vídeo, um dos policiais alegou ter sido ofendido pelos advogados e chegou a associar Marina Carmo — que atualmente preside a Comissão de Prerrogativas da Subseção da OAB em Ipiaú — a crimes recentes ocorridos no município.
“Você está envolvida diretamente com todos os homicídios que estão acontecendo na cidade”, afirmou o policial, antes de completar: “Você é bandida”.
Clima de tensão em Ipiaú
O episódio ocorre em meio a um cenário de forte tensão em Ipiaú, após o registro de sete execuções no último fim de semana. As mortes aconteceram em um intervalo de pouco mais de 48 horas, entre a noite de sexta-feira (16) e a noite de domingo (18), após o rompimento de uma trégua entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Também circulou nas redes sociais um suposto comunicado impondo um “toque de recolher” à população.
OAB repudia conduta
Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) repudiou as “graves violações de prerrogativas profissionais sofridas pelos advogados”. A entidade informou que acompanha o caso de forma rigorosa por meio das Comissões de Prerrogativas da seccional e da subseção local.
“A OAB adotará todas as providências institucionais, administrativas e judiciais cabíveis, exigindo a apuração imediata, séria e imparcial das condutas, com a devida responsabilização dos agentes envolvidos”, diz o comunicado.
A Polícia Militar da Bahia foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação desta matéria.
Fonte: Correio

