A ida do senador Angelo Coronel, ainda filiado ao PSD, para o bloco de oposição movimentou o tabuleiro político da Bahia. Em outubro deste ano, mais de 11 milhões de eleitores baianos escolherão dois dos três senadores da bancada no Congresso Nacional, e a tendência é de que os principais grupos políticos do estado promovam verdadeiros “duelos titânicos” pelas vagas.

Governo e oposição já possuem candidatos ao Senado. No grupo liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), os petistas Jaques Wagner (atual senador) e Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil, foram os escolhidos para a composição da chapa.
Já o bloco liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, deve ter Angelo Coronel, que negocia filiação ao União Brasil, e o ex-ministro João Roma, presidente do PL na Bahia, como postulantes ao Senado.
Trunfos
Os quatro pré-candidatos ao Senado possuem trunfos importantes que podem fortalecer suas respectivas candidaturas durante a campanha. Um fator comum entre eles é a projeção nacional dos nomes.
Rui Costa (PT)
Chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Rui Costa foi reeleito governador com votação recorde na Bahia, obtendo 5.096.062 votos. O petista também foi apontado como essencial para a vitória de Lula em 2022, garantindo cerca de 6.097.815 votos no estado.
Na mesma eleição, Rui atuou como líder das campanhas de Lula e de Jerônimo Rodrigues, seu sucessor no governo estadual. À época, recuou da própria candidatura ao Senado, em um gesto considerado estratégico para a manutenção do grupo político.
O legado da sua gestão também pesa a seu favor. Apontado por aliados como um “tocador de obras”, Rui ficou marcado por entregar grandes equipamentos públicos, como hospitais, policlínicas e escolas, além de liderar intervenções de infraestrutura em diversas regiões.
Recentemente, em entrevista ao Portal A TARDE, Rui afirmou:
“Não tenho essa de puro-sangue ou não, até porque a votação é em pessoas no Brasil. Eu gostaria que a votação fosse em partido, como na Europa, onde você vota em ideologia e não em pessoa física.”
Jaques Wagner (PT)
Primeiro governador do PT na Bahia, eleito em 2006, Jaques Wagner tentará a reeleição para o Senado. O principal trunfo do parlamentar é sua relevância nacional, sendo um dos políticos mais próximos ao presidente Lula e líder do governo no Senado.
Considerado pioneiro na construção do grupo político que governa o estado desde 2007, Wagner foi eleito senador em 2018 com a maior votação da história para o cargo na Bahia, somando 4.253.331 votos.
João Roma (PL)
Ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, João Roma teve rápida ascensão política, passando da Câmara dos Deputados para uma das principais lideranças da direita no estado.
Roma foi candidato ao governo da Bahia em 2022 e principal palanque de Bolsonaro no estado. Apesar do desempenho abaixo do esperado, manteve-se como referência do bolsonarismo local.
Além de ter participado da criação do Auxílio Brasil, programa que substituiu o Bolsa Família no governo anterior, Roma se consolidou nacionalmente como um dos nomes próximos ao núcleo político de Bolsonaro.
Segundo aliados, a tendência é que ele atue como “puxador de votos” para Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador dispute a Presidência, especialmente no eleitorado de direita na Bahia.
Angelo Coronel
Ainda filiado ao PSD, mas em processo de aproximação com o União Brasil, Angelo Coronel tem como principais trunfos o mandato atual e a forte base municipal.
Após anunciar a saída da base governista, Coronel recebeu manifestações públicas de apoio de prefeitos e lideranças regionais. O senador também conta com o apoio dos filhos Angelo Filho (deputado estadual) e Diego Coronel (deputado federal), o que reforça sua estrutura política.
União faz a força
Dos dois lados, a chamada “dobradinha” de votos pode ser decisiva. O PT aposta na força da “superchapa” com três ex-governadores, enquanto a oposição tenta unir diferentes correntes políticas para fortalecer seus candidatos.
Segundo aliados de ACM Neto, Coronel pode se beneficiar da chamada “casadinha” de números, caso se filie ao União Brasil. Já Roma tende a atrair votos do eleitorado de centro-direita.
Anúncio das chapas
As duas principais chapas para o governo da Bahia devem ser oficialmente apresentadas até meados de março, segundo fontes ligadas aos dois blocos políticos.
Pré-candidatos ao Senado:
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Rui Costa (PT) – ministro-chefe da Casa Civil
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Jaques Wagner (PT) – senador da República
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Angelo Coronel (PSD/União Brasil) – senador da República
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João Roma (PL) – ex-ministro e presidente do PL na Bahia

