Há cerca de dez dias, Liam Ramos, um menino equatoriano de 5 anos, voltava da escola com o pai, Adrián, quando foi abordado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), em Minneapolis. Segundo autoridades locais, a criança teria sido usada como “isca” em uma operação. Mesmo após um adulto se oferecer para cuidar do garoto, pai e filho foram levados para um centro de detenção no Texas, a mais de dois mil quilômetros de distância. As imagens do menino com mochila do Homem-Aranha repercutiram mundialmente.

O caso não é isolado. Dados do Deportation Data Project apontam que cerca de 3,8 mil menores foram enviados para centros de detenção familiar entre janeiro e outubro de 2025. Desses, mais de 2,6 mil foram detidos pelo ICE dentro do território americano, e não na fronteira, o que representa uma mudança em relação a governos anteriores.
Durante o primeiro mandato de Trump, a política de separação familiar foi alvo de críticas internacionais e acabou suspensa em 2018. No governo Biden, um acordo judicial proibiu a prática, salvo exceções. Agora, com a queda nas travessias ilegais, o novo governo Trump tem focado em imigrantes que já vivem nos EUA, usando detenções como forma de pressão para forçar a saída do país.
Segundo organizações de direitos humanos, menores sob custódia do ICE têm sido mantidos em celas sem janelas, sem atendimento médico adequado e separados de seus responsáveis por longos períodos. Dados da ONU indicam que o tempo médio de detenção subiu de um mês para seis meses em 2025, enquanto as liberações para familiares caíram de 95% para 45%.
Relatores da ONU também denunciam deportações ilegais de crianças desacompanhadas e pressão para que aceitem pagamentos de até US$ 2,5 mil para se autodeportar, abrindo mão de garantias legais.
Em fevereiro, o governo Trump suspendeu o financiamento de organizações que ofereciam assistência jurídica a menores, afetando cerca de 26 mil crianças, muitas das quais ficaram sem defesa legal.
O Centro de Detenção Familiar de Dilley, no Texas — onde Liam está com o pai — foi reaberto em 2025 e hoje é o maior do país. O advogado Eric Lee, que acompanha o caso, descreveu o local como “deplorável”.
— A água é imprópria para consumo, a comida tem sujeira e insetos, e os guardas agem como em prisões para adultos. Não é um lugar para crianças — afirmou.
(Com informações de agências internacionais)


