O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), oficializou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira, em cerimônia realizada no Palácio Guanabara. A saída ocorre às vésperas da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode resultar na cassação de seu mandato e na declaração de inelegibilidade.

Castro é investigado por suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2022. Mesmo com a renúncia, o processo segue em tramitação na Corte Eleitoral.
Julgamento tem placar desfavorável
Até o momento, o julgamento apresenta um cenário desfavorável ao ex-governador, com dois votos pela cassação. A relatora do caso, Isabel Gallotti, votou pela perda do mandato, inelegibilidade e realização de novas eleições.
O ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou o entendimento, destacando a existência de um suposto “método estruturado de promoção pessoal” com uso de recursos públicos.
O julgamento, iniciado em novembro de 2025, foi interrompido por pedido de vista e ainda conta com cinco ministros a votar.
Investigação envolve contratações no Ceperj
A ação analisa denúncias do Ministério Público Eleitoral sobre um possível esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj.
Segundo as investigações, cerca de 27 mil servidores temporários teriam sido contratados sem transparência e utilizados como base de apoio político durante a campanha eleitoral. Há indícios de que parte desses trabalhadores teria atuado como cabos eleitorais, beneficiando diretamente candidaturas.
Estado entra em cenário de incerteza
Com a renúncia, o estado do Rio de Janeiro passa a viver uma situação atípica. Sem vice-governador — já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas —, o comando do Executivo estadual passa interinamente para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.
Ele deverá conduzir o processo para escolha de um novo governador, por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa. No entanto, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal suspenderam regras desse processo, o que gera incertezas sobre como será feita a escolha.
Castro mira vaga no Senado
Mesmo fora do cargo, Cláudio Castro segue no cenário político e já é apontado como possível candidato ao Senado nas eleições de 2026, caso mantenha seus direitos políticos.
Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em março, coloca o ex-governador entre os principais nomes da disputa. Em um dos cenários, ele aparece com 23% das intenções de voto, à frente de Marcelo Crivella (15%) e de Benedita da Silva e Rodrigo Pimentel, ambos com 12%.
Cenário em aberto
A renúncia de Cláudio Castro não encerra o caso, mas abre um novo capítulo político e jurídico no estado. O desfecho do julgamento no TSE poderá definir não apenas o futuro do ex-governador, mas também influenciar diretamente o cenário eleitoral do Rio de Janeiro nos próximos anos.
Fonte: Carta Capital

