A alta do diesel anunciada pela Petrobras, como reflexo da guerra no Oriente Médio, pode gerar fortes impactos no Brasil. Caminhoneiros de todo o país se organizam para deflagrar uma greve e bloquear rodovias, o que preocupa a população diante da possibilidade de repetição do cenário de 2018, marcado por diversos transtornos.

O movimento grevista deste ano, segundo lideranças do setor, já foi deliberado em assembleias e pode ocorrer ainda nesta semana. A adesão deve envolver profissionais contratados por transportadoras e motoristas autônomos.
Os caminhoneiros protestam contra o aumento no preço do diesel, que subiu cerca de 19% desde o fim de fevereiro, impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional após conflitos no Oriente Médio.
Mesmo após o Governo Federal zerar as alíquotas de PIS/Cofins e criar uma subvenção para reduzir o preço do combustível, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro nas refinarias, impactando diretamente a categoria.
Movimento grevista de 2018
A última grande paralisação ocorreu em 2018, quando caminhoneiros protestaram contra a alta do diesel por 10 dias. Na ocasião, conquistaram a política de pisos mínimos para o transporte rodoviário de cargas, instituída pela Lei 13.703.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a lei não vem sendo cumprida, o que motiva uma nova paralisação.
“É a mesma situação de 2018. A gente conquistou direitos, como a lei do piso mínimo do frete, mas hoje ela não é cumprida na prática. Não há fiscalização nem penalização para as empresas”, afirmou.
Greve de 10 dias
Em 21 de maio de 2018, caminhoneiros iniciaram uma paralisação nacional que durou 10 dias, causando grande impacto. Rodovias foram bloqueadas, houve falta de combustíveis, desabastecimento de alimentos e paralisação de serviços.
A crise afetou diversos setores: redução de frotas de ônibus, cancelamento de aulas, voos ameaçados, prateleiras vazias e interrupção da produção industrial.
Medidas do governo
Durante a greve, o então presidente Michel Temer autorizou o uso das Forças Armadas para garantir a circulação de combustíveis e desobstruir rodovias. A medida fez parte de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em nível nacional.
A normalização começou após acordos com entidades do setor, embora os efeitos tenham persistido por dias em várias regiões do país.
Impactos da paralisação
A greve de 2018 provocou falta generalizada de combustíveis, prejuízos à economia, com queda no PIB, alta da inflação e perdas no agronegócio. Indústrias interromperam a produção, e houve mudanças políticas, como a saída do então presidente da Petrobras.
Fonte: A Tarde
