Prefeitos de 25 municípios baianos se reuniram na tarde desta terça-feira (20), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, para discutir a criação de um “pacto” contra a inflação nos valores cobrados por artistas durante o período do São João.
A reunião contou com gestores que integram a diretoria da União dos Municípios da Bahia (UPB) e teve como objetivo alinhar uma estratégia conjunta antes de levar a pauta ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Segundo o presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso (PSB), a disparidade de valores praticados tem gerado questionamentos por parte da população. “Quando um município contrata um artista por R$ 1 milhão e outro paga R$ 500 mil pelo mesmo show, isso gera desconfiança. Queremos que o preço seja justo”, afirmou.

O prefeito de Jequié e diretor parlamentar da UPB, Zé Cocá (PP), destacou a importância de padronizar o diálogo entre os municípios. “Além dos preços elevados, o problema é que muitos artistas ainda não divulgaram os valores para o São João, e as prefeituras já estão montando grades sem saber quanto irão pagar”, disse.
Presidente da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBahia) e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios (PSD), também defendeu a união entre as gestões municipais como forma de pressionar por valores mais equilibrados. Para ele, a convergência entre os municípios baianos pode influenciar outros estados do Nordeste.
“Quem mais faz forró é a Bahia. Se tivermos unidade, vamos dar o exemplo ao Nordeste. Todo mundo quer o melhor artista, mas na maioria das cidades falta pavimentação e o dinheiro é gasto com artistas. Queremos tratar a coisa pública com respeito, sem matar a tradição”, afirmou.
Durante a coletiva, Sivaldo chamou atenção para a escalada dos cachês. “O artista que foi R$ 200 mil no ano passado já está pedindo entre R$ 450 mil e R$ 500 mil. Qual foi o cálculo para esse aumento? Se houver entendimento entre os municípios, eles vão ter que tocar no estado também”, questionou.
Para o gestor, a realização dos festejos deve respeitar os limites orçamentários das prefeituras. “Todos nós gostamos de festa, mas não se pode perder o limite. A responsabilidade fiscal precisa vir antes do entusiasmo”, completou.
A proposta em discussão inclui a possibilidade de unificação das contratações por meio dos consórcios públicos, criando um modelo de gestão mais eficiente e sustentável, capaz de equilibrar a valorização cultural do São João com as reais necessidades da população.
Redação/informações: MundoBA e Soudabahia.com.br

