A fabricante Roche Farma Brasil informou que o medicamento Avastin, utilizado em um mutirão oftalmológico em Irecê, não é indicado para uso nos olhos. Segundo a empresa, a aplicação fora da bula (off-label) pode estar associada a eventos adversos.

O caso envolve um mutirão realizado no Centro Médico e Odontológico (Ceom), onde mais de 20 pacientes relataram complicações visuais após procedimentos feitos entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março. Há registros de casos graves, incluindo perda de visão, retirada do globo ocular e até a morte de um paciente semanas após o procedimento.
De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), 143 pacientes foram submetidos à terapia antiangiogênica com aplicação do medicamento. Desses, 26 apresentaram intercorrências, como ardência e vermelhidão nos olhos.
A Roche destacou que o Avastin é aprovado pela Anvisa desde 2002 para tratamento de câncer e não foi desenvolvido para uso oftalmológico injetável. A empresa também afirmou que não há indícios de falhas na fabricação, ressaltando que o uso seguro depende do correto armazenamento e manuseio.
Por outro lado, o Ceom afirmou, em nota, que o uso do medicamento em oftalmologia é respaldado por protocolos do SUS e amplamente adotado em tratamentos como degeneração macular e retinopatia diabética. A clínica também negou irregularidades no armazenamento dos produtos.
A Polícia Civil da Bahia investiga o caso e já realizou diligências na unidade de saúde, incluindo a apreensão de prontuários. As circunstâncias das complicações seguem sendo apuradas.
Fonte: Correio 24h
