A mulher que teve uma perna amputada após ser atropelada enquanto corria na Avenida ACM, em Serrinha, na região sisaleira da Bahia, recebeu alta hospitalar na última quinta-feira (2), após três meses internada. O acidente aconteceu no dia 25 de dezembro do ano passado e o suspeito é um adolescente que realizava manobras perigosas com uma motocicleta.
A vítima, Gleice de Araújo, de 30 anos, trabalhava como vendedora de sandálias e praticava atividade física em uma das vias mais movimentadas da cidade, conhecida pelo intenso fluxo de pedestres e presença de academias, quando foi atingida.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do acidente. Nas gravações, Gleice aparece correndo pela avenida, quando um motociclista surge empinando o veículo. Em seguida, ocorre a colisão. Uma segunda motocicleta aparece logo depois, já após o impacto.
De acordo com a família, o condutor responsável pelo atropelamento é um adolescente de 17 anos, que teria perdido o controle da moto. Após atingir a vítima, ele fugiu do local sem prestar socorro. Gleice sofreu uma grave perda de sangue e chegou a gritar de dor após o impacto.
Em entrevista à TV Subaé, afiliada da Rede Bahia, Gleice falou sobre o retorno para casa após o longo período de internação.
“A sensação de retornar é única. Parecia que eu não ia sair do hospital. Vamos continuar com o acompanhamento, porque lá foi um processo e aqui é outro. Ainda vai ter fisioterapia, adaptação, uma vida nova. Buscar melhoria para ter uma vida o mais normal possível”, afirmou.
A vítima foi socorrida e passou por uma cirurgia de emergência, que resultou na amputação de uma das pernas. Durante a internação no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, o estado de saúde foi considerado delicado. Gleice permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisou de transfusões de sangue, sessões de diálise e chegou a contrair uma infecção hospitalar.
Ela também relembrou o momento do acidente e destacou a ação de um médico que passava pelo local.
“Eu lembro de tudo. Foi um dia qualquer, a gente nunca imagina que vai acontecer nada. Um médico que passava fez um torniquete na minha perna, e isso foi o que me salvou quando cheguei ao hospital”, contou.
Gleice afirmou ainda que espera que o caso tenha desdobramentos na Justiça.
“A gente espera que a justiça seja feita. Estamos focando mais na prótese para eu poder ter uma vida normal, porque o que eu mais sinto falta hoje é do exercício físico, da minha vida mesmo”, disse.
Investigação
Após o acidente, foi registrado um Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por lesão corporal contra o adolescente na Delegacia Territorial de Serrinha.
A Polícia Civil informou que diligências seguem em andamento para a conclusão do inquérito. Gleice deverá ser ouvida nos próximos dias, e o depoimento, junto com os relatórios médicos, será encaminhado ao Poder Judiciário.
Segundo apuração da TV Subaé, a Polícia Civil chegou a solicitar a apreensão e internação provisória do adolescente, com parecer favorável do Ministério Público, mas o pedido foi negado durante o plantão judiciário.
O caso segue sob análise da Justiça.
Fonte: Calila Notícias


