País perdeu 948 empresas empregadoras em julho e acumula redução de mais de 32 mil estabelecimentos desde o início do governo Javier Milei.
A Argentina enfrenta um cenário de dificuldades econômicas, marcado pela redução no número de empresas e pela perda de empregos formais. Somente em julho de 2026, o país registrou uma diminuição de 948 empresas com trabalhadores registrados, segundo dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), divulgados pelo jornal argentino La Nación.
Com a redução, o número de empresas empregadoras ativas caiu para 480.067, completando 18 meses consecutivos de retração. O levantamento aponta ainda que, nos últimos 12 meses, a Argentina perdeu 15.475 empresas, uma queda de 3,1%.
Desde o início do governo do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023, a redução acumulada chega a 32.290 empresas, o equivalente a 6,3% do total. Em novembro de 2023, último mês completo da gestão anterior, o país contabilizava 512.357 empresas empregadoras.
O número atual representa o menor patamar registrado desde julho de 2007, segundo análise do economista Guido Zack, diretor da área de Economia da Fundar.
Apesar dos números, a Superintendência de Riscos do Trabalho esclarece que a redução na quantidade de empregadores registrados não significa necessariamente que todas essas empresas encerraram definitivamente suas atividades. O levantamento também pode refletir reorganizações empresariais, mudanças cadastrais e alterações nas relações de trabalho.
Mercado de trabalho também registra perdas
A redução no número de empresas ocorre em meio ao enfraquecimento do mercado de trabalho argentino. Dados do Sistema Integrado Previdenciário Argentino (SIPA) mostram que, em junho, o setor privado perdeu 10.814 empregos formais em comparação com maio.
Na comparação com junho de 2025, a redução chegou a aproximadamente 121 mil postos de trabalho. O número de trabalhadores formais no setor privado caiu de 6,216 milhões para 6,096 milhões.
Em julho, o emprego continuou apresentando retração, embora em ritmo menor, acumulando sete meses consecutivos de queda.
Economia argentina apresenta sinais de desaceleração
Os indicadores econômicos também mostram dificuldades para a recuperação da atividade produtiva. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), a economia recuou 2,9% em julho na comparação com junho, considerando os dados ajustados sazonalmente.
Em relação ao mesmo mês de 2025, a queda foi de 1,4%.
Diante desse cenário, o Banco Mundial reduziu sua previsão de crescimento da economia argentina para 2026, passando de 3,6% para 2,1%. A estimativa para 2027 também foi revisada, de 3,7% para 3%.
Embora setores como mineração, energia, agronegócio e hidrocarbonetos apresentem investimentos e expansão, outros segmentos enfrentam dificuldades relacionadas aos custos operacionais, ao financiamento e à redução do consumo.
Os números evidenciam os desafios enfrentados pela economia argentina durante o governo Javier Milei, especialmente na manutenção das empresas e na geração de empregos formais.
REDAÇÃO FR NOTÍCIAS
Com informações do La Nación, publicadas pelo jornal O Globo.


