Uma resolução histórica da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovada nesta quarta-feira (25), declarou o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. No entanto, apenas três países votaram contra a medida: Estados Unidos, Israel e Argentina.
A proposta, apresentada por Gana, recebeu o apoio de 123 países. Outros 52 optaram por se abster, entre eles o Reino Unido e diversas nações da União Europeia.
A resolução tem como objetivo reconhecer a gravidade histórica do tráfico transatlântico de escravizados, que afetou milhões de africanos entre os séculos XV e XIX, além de abrir caminho para discussões sobre reparações às populações descendentes.
Durante a sessão, representantes de Gana destacaram que a iniciativa busca combater o apagamento histórico e promover justiça. Segundo o governo ganês, as consequências da escravidão ainda são sentidas atualmente, especialmente nas desigualdades raciais e sociais.
Apesar de não ter caráter vinculante, o documento incentiva os países-membros a debater medidas reparatórias, como pedidos formais de desculpas, indenizações financeiras e devolução de patrimônios históricos.
A votação ocorreu em uma data simbólica: o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, celebrado em 25 de março.
A decisão também evidencia um alinhamento recente entre Estados Unidos, Israel e Argentina em votações internacionais, especialmente após mudanças políticas nos três países.
Especialistas apontam que a resolução representa um avanço importante no reconhecimento global da escravidão como um crime contra a humanidade, além de reforçar o debate sobre justiça histórica e reparações.


