A tradicional guerra de espadas, prática comum durante os festejos de São João em cidades do Recôncavo Baiano, voltou a registrar graves acidentes neste ano. Em menos de 24 horas, um homem morreu e uma criança de três anos ficou gravemente ferida em ocorrências relacionadas ao uso de espadas juninas em municípios da região.

O caso mais grave aconteceu na noite de terça-feira (23), em Sapeaçu, onde Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento, de 47 anos, morreu após ser atingido na cabeça por uma espada. O acidente ocorreu no bairro Jaqueira durante as comemorações juninas.
Segundo as primeiras informações, o artefato pirotécnico teria explodido antes de atingir a vítima, provocando ferimentos graves. Tarcísio chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde do município, mas não resistiu.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia Territorial de Sapeaçu investiga as circunstâncias do acidente. Os laudos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) deverão esclarecer as causas da ocorrência.
Após a confirmação da morte, a Prefeitura de Sapeaçu divulgou uma nota de pesar e anunciou o cancelamento dos festejos programados para a noite em respeito ao luto da família.

Já em Cruz das Almas, outro acidente envolvendo espadas deixou uma criança de três anos gravemente ferida. O caso foi registrado também na noite de terça-feira (23), no bairro Areal.
De acordo com informações preliminares, uma espada caiu próximo à residência da família da criança e acabou atingindo a vítima, que sofreu queimaduras em diversas partes do corpo. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram os primeiros socorros e encaminharam a criança em estado grave para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Além da criança, outras pessoas deram entrada na unidade de saúde com queimaduras e fraturas expostas relacionadas aos festejos juninos. Até a manhã de quarta-feira (24), não havia atualização oficial sobre o estado de saúde da vítima.
Já em Santo Estêvão, na região de Feira de Santana, uma guerra de espadas terminou com a apreensão de 78 artefatos e um maçarico, além da condução de quatro pessoas à Delegacia Territorial. De acordo com a Polícia Militar, equipes foram acionadas após denúncias de que participantes realizavam a prática em via pública, colocando em risco moradores e frequentadores da festa. O material foi localizado durante abordagens realizadas com apoio do serviço de inteligência.
Diante dos casos registrados durante o período junino, a Polícia Civil reforçou que o uso, porte, transporte, fabricação e armazenamento de espadas continuam proibidos na Bahia. Apesar de ser considerada uma tradição cultural em alguns municípios, a prática segue sendo alvo de fiscalização devido aos riscos de acidentes graves, queimaduras, mutilações e até mortes.
Os episódios registrados neste São João reacendem o debate sobre a permanência da guerra de espadas e os perigos associados ao uso dos artefatos, que todos os anos mobilizam equipes de saúde, segurança pública e órgãos de fiscalização em diversas cidades baianas.
Redação FR Notícias, com informações Vem Ver Cidade/ A Tarde
