Onze pessoas, entre elas dois policiais militares, foram presas nesta quinta-feira (5) durante a Operação Circuito Fechado, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia para desarticular um esquema de comércio ilegal de armas de fogo e munições. Segundo as investigações, o grupo fornecia armamentos até mesmo para facções criminosas rivais.
A operação também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos patrimoniais. Ao todo, 27 investigados foram alvos da ação, sendo 14 com mandados de prisão preventiva e 13 submetidos a medidas cautelares diversas da prisão. Também foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão.
As diligências ocorreram nos municípios de Valença, Salvador, Nazaré, Santa Bárbara, Taperoá, Santo Antônio de Jesus e Gandu. Até a divulgação das informações, quatro investigados ainda não haviam sido localizados.
Arsenal com dezenas de armas foi encontrado em Nazaré
Uma das principais ações ocorreu em Nazaré, onde os policiais apreenderam, com Alex Costa Ferreira dos Santos, 74 pistolas e revólveres, além de oito armas longas. Segundo a investigação, ele possui um estabelecimento comercial de armas e é suspeito de repassar armamentos a grupos criminosos.
No local, também foram encontrados R$ 22.362 em dinheiro, um carro, uma motocicleta, dez aparelhos celulares, um tablet e porções de cocaína.
Investigação começou após apreensão de munições
As investigações tiveram início em dezembro de 2023, depois que um homem foi preso em flagrante transportando 270 munições de diferentes calibres, em Valença.
A partir da análise de documentos, dados e movimentações financeiras, a Polícia Civil identificou uma suposta rede formada por fornecedores, intermediários e transportadores de armas e munições. Conforme as apurações, o material abastecia integrantes de duas facções criminosas rivais.
Os investigadores também identificaram indícios de envolvimento do grupo em crimes patrimoniais, como furtos, falsificação de documentos e fraudes imobiliárias.
Em Valença, alguns dos investigados são suspeitos de participar da invasão de uma residência, retirada de bens e tentativa de apropriação irregular do imóvel por meio de documentação fraudulenta.
A investigação também aponta possível participação de agentes de segurança pública. A Polícia Civil apura se informações privilegiadas e até viaturas policiais teriam sido utilizadas para facilitar as atividades criminosas.
Bloqueio de bens chega a R$ 6,2 milhões
Por determinação judicial, foi autorizado o sequestro e o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 6,2 milhões, envolvendo seis investigados e empresas vinculadas a eles.
Também foram determinadas restrições sobre veículos e a indisponibilidade de imóveis relacionados aos alvos da investigação.
Quem são os presos
Entre os presos estão os policiais militares Iure dos Reis de Almeida e Nilton Silva Brito. O primeiro foi localizado em Valença. Já o segundo, que é aposentado, foi encontrado em um quarto de hospital, em Salvador.
Também foram presos Alex Costa Ferreira dos Santos, Felipe Smiley de Sousa Galvão, ex-candidato a vereador de Valença, Mairon Marques Cabral, Jorge Anderson Ferreira Rêgo, Geovane Santos de Jesus Caldas e Jorge Vinicius Oliveira dos Santos.
Outros três investigados — Webert de Oliveira Cardoso, Everton Sousa de Jesus e Carlos Alexandre de Menezes Santos Júnior — já estavam custodiados e receberam novos mandados de prisão.
Até a publicação das informações, as defesas dos investigados não haviam se manifestado.
Fonte: Região em Pauta

