Quatro policiais do Corpo de Investigação Científica, Criminal e Forense (CICPC), principal órgão de investigação criminal da Venezuela, foram presos e expulsos da corporação após serem acusados de furtar dinheiro encontrado entre os escombros de edifícios que desabaram durante os terremotos que atingiram o estado de La Guaira na semana passada. As informações são do jornal O Globo.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (30) pelas autoridades venezuelanas e pela imprensa local, os agentes aproveitaram a atuação nas operações de resgate para se apropriar de dinheiro e outros objetos de valor pertencentes às vítimas. Em comunicado oficial, o CICPC informou que os policiais “desviaram-se de seus deveres” ao retirar bens encontrados entre os destroços. O diretor da corporação, Douglas Rico, anunciou a demissão “definitiva e irrevogável” dos quatro agentes e afirmou que eles foram encaminhados à Justiça para responder pelas acusações.
O caso veio à tona após um dos policiais ser filmado no condomínio Vallarta, em Playa Grande, carregando uma sacola com notas de US$ 100 que, segundo relatos, haviam sido retiradas dos apartamentos destruídos. De acordo com a Euronews, moradores cercaram o agente, conseguiram recuperar o dinheiro — estimado em cerca de US$ 10 mil — e registraram toda a ação em vídeos que rapidamente viralizaram nas redes sociais, provocando indignação diante da conduta dos policiais em meio à tragédia.
Após a repercussão, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, prometeu punição rigorosa aos envolvidos. “Seremos muito mais severos com aqueles que, usando uniforme, quiserem se aproveitar da dor e dos bens alheios em um momento de grande comoção”, afirmou.
Os terremotos registrados em 24 de junho provocaram um cenário de destruição em La Guaira, estado mais afetado pelo desastre.Segundo o balanço oficial, 1.943 pessoas morreram, mais de 10,5 mil ficaram feridas e quase 250 edifícios desabaram. Enquanto as equipes de resgate continuam procurando sobreviventes sob os escombros, os relatos de saques — inicialmente atribuídos a civis e, agora, também a agentes de segurança — evidenciam os desafios enfrentados pelo país diante da maior tragédia recente.
Fonte: Correio

