O senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, tornou-se um dos focos da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18). A investigação apura supostas relações entre o parlamentar e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, principal alvo das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a operação busca aprofundar apurações sobre possíveis pagamentos realizados por empresas ligadas ao grupo econômico de Vorcaro à empresa da nora do senador, Bonnie Bonilha, por meio de contratos de consultoria. Os investigadores apontam que os repasses teriam somado cerca de R$ 11 milhões ao longo dos últimos anos.

A Polícia Federal também apura indícios de que Wagner teria utilizado aeronaves particulares do empresário Daniel Vorcaro e recebido um imóvel em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões. Além disso, os investigadores analisam mensagens trocadas entre o senador e Augusto Lima, além de possíveis articulações políticas em favor de interesses do Banco Master.
Entre os pontos investigados estão supostas atuações para facilitar a aprovação da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e apoio à chamada “emenda Master”, proposta que previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A medida interessava diretamente ao Banco Master, que possuía forte atuação nesse segmento.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e organização criminosa envolvendo o Banco Master e seus executivos. As investigações tiveram início em 2024 e já resultaram em prisões, bloqueios bilionários de bens e dezenas de mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país.
Até o momento, não há denúncia formal ou condenação contra o senador Jaques Wagner. A defesa do parlamentar ainda não se pronunciou sobre as informações divulgadas nesta quinta-feira.
As investigações seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro privilegiado dos parlamentares federais.
Fonte: G1
