As obras do artista plástico Cícero Matos foram apagadas de um muro localizado no ponto de táxi da saída de Jacobina, sentido Salvador, provocando indignação da família e repercussão entre admiradores da arte urbana no município.
Segundo a empresária Aurivone Ferreira Silva, esposa do artista, a remoção das pinturas ocorreu sem qualquer aviso ou notificação prévia. Ela afirma que busca esclarecer quem determinou o apagamento dos painéis e cobra um posicionamento oficial sobre o ocorrido.

Em entrevista ao BNews, Aurivone destacou que, embora as obras estivessem expostas em espaço público, elas representam um importante patrimônio artístico e cultural.
“Quando o artista coloca sua obra na rua, ela passa a integrar o espaço público. As pessoas podem fotografar, admirar e compartilhar. O que nos entristece não foi isso, mas o fato de o painel ter sido apagado sem qualquer comunicação. Consideramos um desrespeito com a arte e com o artista”, afirmou.
A empresária também revelou que as imagens dos murais chegaram a ser utilizadas pela própria Prefeitura de Jacobina em material institucional de divulgação da Micareta do município, sem que houvesse qualquer remuneração ao artista. Apesar disso, segundo ela, a família não contestou o uso por entender que também contribuía para divulgar o trabalho de Cícero Matos.
Aurivone informou ainda que não sabe se a decisão de apagar as pinturas partiu da Prefeitura ou da empresa TEN, responsável por obras relacionadas à implantação de torres de energia eólica na região. Ela explicou que entrou em contato com um assessor da prefeita, que informou não ter conhecimento prévio da remoção das obras.
De acordo com o relato, parte do muro da entrada da cidade foi demolida para permitir a passagem de equipamentos destinados ao parque eólico, mas o restante do painel acabou sendo totalmente coberto por pintura.
A família aguarda uma manifestação da administração municipal para saber se haverá a recuperação do mural. Caso contrário, pretende realizar uma notificação pública sobre o caso.
Prefeitura diz que ação faz parte de revitalização urbana
Em nota, a Prefeitura de Jacobina informou que as intervenções realizadas integram um amplo projeto de revitalização urbana, manutenção de equipamentos públicos e reorganização visual da cidade, com o objetivo de promover espaços mais limpos, padronizados e acolhedores.
Segundo a administração municipal, durante esse processo diversos muros e contenções foram revitalizados, incluindo locais que haviam recebido manifestações artísticas em gestões anteriores.
A gestão afirmou reconhecer a importância da arte urbana e destacou que não houve intenção de desrespeitar o trabalho de qualquer artista.
Ainda conforme a nota, a intervenção ocorreu dentro de critérios técnicos relacionados à requalificação dos espaços públicos e ao combate à poluição visual.
Por fim, a Prefeitura reafirmou o compromisso com a cultura e informou que permanece aberta ao diálogo com os artistas locais para desenvolver projetos que valorizem a arte em espaços apropriados, conciliando a preservação cultural com as ações de ordenamento urbano e embelezamento da cidade.
O caso segue repercutindo em Jacobina e levanta o debate sobre a preservação da arte urbana e a necessidade de diálogo entre o poder público e os artistas antes da realização de intervenções em obras de valor cultural.
REDAÇÃO FR NOTÍCIAS/Informações BocãoNews

